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Cara a Cara - Lílian Maial

Blog pessoal, para divulgação de trabalhos literários.



Quarta-feira, Abril 23, 2008






O HOMEM SEM ROSTO
Lílian Maial









Não sei teu rosto, então, te invento assim:
És como o sol, um deus, tão importante!
Mas vem a lua e banha o teu semblante,
E esse importante deus inventa a mim.


Eu me perfumo em versos de alecrim,
E sinto um gosto ardente e atordoante.
Vem do teu corpo o cheiro embriagante,
Que saboreio em notas de jasmim.


Teus braços fortes vêm ao meu redor,
A tua boca eu quero e sei de cor,
Mordendo as rimas, lábios de profeta!


As coxas rijas são o meu sustento,
O pão, a carne, o vinho, o meu ungüento.
Não sei teu rosto, então, amo o poeta!


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postado por: Lílian Maial 18:57 Comments:









PEQUENA MORTE
Lílian Maial











Afasta a tua boca de desejo,
que a torpe embriaguez me tira a vida!
Eu quero a lucidez dessa ferida
ardendo a cada passo do cortejo!


Afasta a tua boca do meu beijo,
que a minha é sonsa, é cálida e atrevida!
Eu quero me encontrar, e mais perdida
eu fico se profanas o meu pejo!


Afasta minhas mãos e minhas coxas,
que assim minha razão fica exaurida!
Eu quero que me deixes manchas roxas,
de amor, de insensatez e de mordida!


Se o gozo faz de ti o meu consorte,
em mim alcançarás pequena morte!


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postado por: Lílian Maial 18:54 Comments:








ESCOLTA
Lílian Maial











Mandaste batedores como aviso,
Talvez, quem sabe, arautos da paixão,
Que trazem sempre, e em primeira mão,
Teu cheiro e teu prazer, que eu exorciso.

Teus dedos são parceiros que anarquiso,
E uso em despudor, devassidão.
E anseio, feito louca, pela mão,
Que esmaga o meu desejo mais narciso.

Pois saibas que também tenho meus meios,
E envio, como escolta, meus dois seios,
De prova do que tenho a oferecer.

Se queres conhecer-me por inteira,
Marchar sobre o meu corpo sem trincheira,
Primeiro hás que fazer por merecer...


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postado por: Lílian Maial 18:51 Comments:








NEXUS
Lílian Maial








São quatro horas de uma tarde linda,
Lembrança de outra igual, mas tão distante:
O encontro com teu corpo hesitante,
Que a minha melodia ainda brinda.


São oito horas e essa dor infinda
Derrama sua farpa lancinante,
Saudade do teu cheiro inebriante,
Que acende a minha alma quase extinta.


É madrugada e sobra essa tortura,
A falta do teu beijo, teu carinho,
O preço que paguei por liberdade...


Mas basta eu recordar tanta loucura:
Teu gosto, teu olhar, teu puro linho,
Que afloram virgens gotas de umidade.


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23.04.08


postado por: Lílian Maial 18:49 Comments:






PODERES
Lílian Maial




Tu poderias, sim, amar-me inteira!
Sermos nós dois no mundo e mais ninguém,
Pois mais amor que o amor o meu contém,
como os botões florindo uma roseira.

Eu poderia ser tua primeira!
Quem sabe aquela que te quis mais bem?
A de verdade, a louca e mais além,
Eu poderia ser a derradeira!

Poder te dar o mar, o céu e a terra,
Ar que respiro, a luz, a primavera,
Sentir teu peito em mim, num só compasso.

Poder te amar o amor mais altruísta,
Não ser da vez, apenas a conquista,
E eternizar na morte o teu abraço!


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23.04.08


postado por: Lílian Maial 18:45 Comments:



Segunda-feira, Abril 14, 2008

BEIJO
lílian maial






Duas margens do rio
salta um peixe
a língua encontra a foz

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postado por: Lílian Maial 17:06 Comments:



Sábado, Abril 05, 2008

MAL DE AMOR
Lílian Maial & Nathan de Castro







O amor é como a brisa das manhãs douradas,
que chega de surpresa, a refrescar o dia.
O mundo fica belo, as nuvens perfumadas,
e o tempo perde tempo, aos olhos da alegria.

O amor é como a chuva fria nas calçadas,
que chega em tempestade, dor, melancolia.
O mundo fica cinza, as luas deformadas,
e o tempo pesa mais que a lágrima tardia.

O mal de amor é fogo, é ar, é terra e é água,
que juntos se modelam, esculpindo a mágoa,
mas quem pode viver sem essa flor letal?...

Que venham elementos, venha a natureza,
os ventos da paixão, os beijos e a certeza:
amar faz tanto bem, que chega a fazer mal.

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postado por: Lílian Maial 17:04 Comments:



Dueto (ou seria trio) com Pedro Galuchi e com Nathan de Castro:





Da Tua Boca
© Lílian Maial



Da tua boca, vem silêncio e medo,
Cicuta, que envenena o paladar
Das letras, que me acordam logo cedo,
Trazendo os mesmos sumos do jantar.

Da tua boca, eu quero um arvoredo,
Com ventos de saliva a sussurrar.
Dos galhos, tuas mãos, feito um brinquedo,
Meu corpo todo, em versos, semear.

Mas tua boca sela de mentira,
E encerra, como a minha, sem que fira,
Um gosto de saudade e pão de queijo.

Aguardo calmamente outros outonos,
Pois sei que a longa espera vale o bônus
Do céu da tua boca em novo beijo!

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Teu Desejo
(inspirado no soneto Tua boca de Lilian Maial)
Pedro Galuchi



No teu desejo guardas a vontade...
Ansiosa espera... Doce ser amado
Vagando no horizonte da saudade...
Quanto por ele tens te inquietado?...

Do teu desejo não escondes segredo...
Todos percebem quando ele se instala,
Revelas sem temores o teu medo
Que possa não retornar a chamá-la...

Se vezes, vento frio gerar invernos...
Sorri e resiste... Vai a Igreja, ao Bonfim...
Faze promessas... Jura pelos infernos...

À tua paixão, flor tenra, todo afeto...
Momentos plenos num prazer sem fim...
E ao teu desejo, faça-se completo...


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Dos Teus Lábios
© Nathan de Castro



... E, dos teus lábios, quero o beijo urgente,
o encanto do primeiro encontro, o abraço
revestido de nuvens, e o compasso
dos passos de um bolero doce e quente.

Quero a palavra que ouse o nosso espaço
na eternidade simples... Simplesmente,
gravar nossas loucuras, passo a passo,
para que os versos cumpram a semente.

Mas os teus lábios cantam de tristezas,
os meus revelam luas de incertezas
e a música do amor se faz distante...

Aguardo, calmamente... As nossas mesas
têm gosto de soneto, e as sobremesas
me lembram, em poesia, o teu semblante.


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postado por: Lílian Maial 16:08 Comments:



Epidemia de Dengue: de quem é a culpa?
®Lílian Maial






Há quem diga que é dos políticos, outros, do mosquito, outros ainda, da população, e até praga pelos pecados da sensualidade eu já andei lendo por aí, como responsável direta. Bem, vox populi, vox Dei, mas vamos com calma.

Sabe-se que os casos de dengue são endêmicos em diversas regiões do mundo, e estão relacionados ao clima úmido e quente, geralmente nos períodos das chuvas. O Rio de Janeiro é a cidade mais propensa a epidemias nas épocas de chuva e calor (verão), justamente por seu clima e seus acidentes geográficos e crescimento urbano, que possibilitam o acúmulo de água onde nem se percebe que ela possa estar acumulada. E o mosquito é peridoméstico, isto é, criado em nossas casas e arredores, principalmente se desenvolvendo onde houver água parada.

O combate ao mosquito transmissor e a eliminação dos criadouros (água parada) são a única maneira de controlar a doença e, aí, a responsabilidade recai não só sobre o governo, mas sobre cada um de nós. Se um dos lados não cumprir a sua parte, não haverá sucesso.

Não há inseticida pulverizado na cidade que elimine os mosquitos completamente. Ao contrário, acabariam, em excesso, eliminando outras espécies, provocando desequilíbrio na cadeia alimentar, propiciando outras pragas.

As equipes de vigilância epidemiológica atuam, usam inseticida e larvicida, porém, enfrentam inúmeros obstáculos. De nada adianta eliminar vasinhos de plantas dos apartamentos, se terrenos baldios não puderem ser visitados, ou se não se permitir que os agentes penetrem nas residências, como é muito comum acontecer.

Por outro lado, o sistema de saúde está um verdadeiro caos há décadas, tanto que a famosa CPMF foi idealizada para suprir a falta de verba e tentar abastecer hospitais e postos com medicamentos, aparelhagem e equipes de saúde. No entanto, como bem sabemos, tal verba aparentemente também foi usada para outras finalidades, e o sucateamento das estruturas e equipes de saúde vem acontecendo vertiginosamente, com salários aviltantes, condições sub-humanas de trabalho, e responsabilidade legal e ética comprometidas, resultando na falência da prestação de assistência digna à população.

Num momento de crise, como numa epidemia de proporções assustadoras, com óbitos e morbidade acima das expectativas, a fragilidade da Saúde aparece e apavora a população, já endemicamente sofrida. Não há médicos (e quem aceita trabalhar nas emergências, arcando com todas as suas conseqüências, por menos de R$900,00 ao mês?), não há leitos, não há vagas em CTI, não há o menor conforto, nem para pacientes e nem para as equipes. A contratação de médicos, de maneira emergencial, paga o triplo do salário dos médicos concursados, mostrando o absurdo da situação, e nada acontece.

Tendas são montadas, militares são convocados, come-se inhame, ingere-se complexo B, usa-se homeopatia, aplica-se repelentes, perfume de alfazema, velas de citronela e andiroba, e a doença vai engordando as estatísticas, até que o clima esfrie e as chuvas passem, o outono avance e o vírus volte a dormir nos ovos dos mosquitos.
Aí as tendas serão desmontadas, os militares voltarão para as casernas, o inhame desaparecerá do cardápio, os repelentes serão guardados e as velas apagadas, mas ninguém vai conseguir apagar a dor das perdas de crianças, jovens e adultos, o sofrimento de uma doença que deixa a pessoa acamada por 10 dias, mas enfraquecida por 2 meses, e a sombra de futuras epidemias, cada vez mais graves, pela possibilidade de segunda infecção, que favorece a evolução mais séria.

E nada acontece.

Não há verba para a Saúde.

Há verba para tudo nesse país, mas não há verba para a Saúde.

Diabos! Qualquer coisa que se tenha que fazer, só se faz se tiver saúde. Sem saúde não há trabalho, não há produção, não há lucro, não há nação!

Raios! Não precisa ser político, estudioso e pós-graduado para enxergar isso!

Mas, peraí, a prevenção e a promoção de saúde não dão lucro, não dão voto, não dão poder...

É, gente, é cada um por si, como no Velho Oeste. A violência já está provocando o armamento da população e o trancafiamento dentro de casa e condomínios fechados, só que as epidemias não atingem somente as áreas de risco, elas expõem a todos, ricos e pobres, aos seus efeitos, embora os menos favorecidos sempre levem a pior, justamente pela falta de assistência decente, como a que os mais abastados encontram em alguns Planos de Saúde.

Já está mais do que na hora da população se manifestar, das entidades médicas acirrarem as reivindicações, das empresas pressionarem, das associações de bairros se posicionarem, enfim, o povo precisa forçar seus representantes eleitos a tomarem uma posição no que diz respeito à aprovação de maior verba e ações de saúde em todo o país.

Não cabem mais brigas políticas, interesses secundários, picuinhas e partidarismo, quando vidas estão se perdendo pela inércia!

O mosquito é miudinho, o vírus é microscópico, mas a dignidade da nação está bem menor, neste momento.

O descaso com o cidadão, o desrespeito à Constituição – Carta Magna da nação – que diz que “A saúde é direito de todos e dever do Estado”, são imperdoáveis, e precisam urgentemente serem corrigidos, não só como forma de atenção aos que constituem esta nação, mas em memória dos que se foram por falta de um atendimento a que tinham direito.


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postado por: Lílian Maial 16:00 Comments:



Quarta-feira, Abril 02, 2008

O Golpe Militar de 1964 e a Dor


Todo ano, quando vai se aproximando essa data, me invade uma angústia esquisita, uma dor pela dor, uma dor que não foi minha, mas que ainda é minha, que sempre foi minha. Um vazio, um vácuo, um limbo.

Leia o restante clicando no link:


http://www.lilianmaial.com/blog.php?idb=11039




postado por: Lílian Maial 15:15 Comments:




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