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Cara a Cara - Lílian Maial

Blog pessoal, para divulgação de trabalhos literários.



Domingo, Março 23, 2008

FELIZ PÁSCOA!!!
Lílian Maial








E hoje é Páscoa.
E hoje se pensa em Deus.
E hoje se renova a vida.
E hoje se repensa tudo!

E a chuva lavou os pecados.
E a chuva levou os martírios.
E a chuva limpou o sangue.

E sinto uma enorme dor
daqueles a quem não vejo,
daqueles em quem não toco,
daqueles com quem não troco.

E me invade uma estranha alegria,
de estar aqui e em lugar algum,
de estar viva e repleta de mim,
de estar à procura eterna do mais.

Hoje é Páscoa
e a vida pulsa nas artérias,
e os sonhos voam
nas asas dos pássaros livres.

E a esperança de renascer a cada dia
se concretiza em meus olhos,
ao abrir as janelas e respirar,
com a mesma dor do recém-nato.

Deixar entrar o ar,
deixar rasgar o coração,
deixar penetrar a graça e a beleza
de mais uma Páscoa.

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postado por: Lílian Maial 14:26 Comments:



Sexta-feira, Março 21, 2008

COMENDO CHOCOLATE
Lílian Maial








Comendo chocolate e pensando em você,
Derretendo em minha boca,
Lambuzando meus dedos,
Deixando gosto doce de prazer.

Comendo chocolate e pensando em você,
Com a boca cheia d água,
Os lábios úmidos de desejo,
A língua espalhando a delícia.

Comendo chocolate e pensando em você,
Viajando na gula de comer sozinha,
Sem dividir com ninguém,
Meu segredo gostoso.

Comendo chocolate e pensando em você,
Devorar tudinho,
Não deixar pedacinho,
Só de mim, pra você.

E na boca, coisa louca,
Quando você chegar e me beijar,
Ainda encontrar esse gosto perdido,
Do pecado escondido,
Do cacau preferido,
Recheado de amor.

E assim, daqui pra diante,
Toda vez que estiver longe, no mundo,
Sozinho, sem ninguém,
Poder desembrulhar devagar,
Comer chocolate, saborear
E pensar em mim também.


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postado por: Lílian Maial 21:19 Comments:



Quinta-feira, Março 20, 2008

TU, MEU CHOCOLATE!
© Lílian Maial








Os corpos já não sentem, nem questionam,
o gosto que esse encontro nos causou.
As mentes, essas sim, se emocionam,
com o beijo que essa boca não beijou.


Palavras, como o vento, não detonam
a bomba que, no peito, já se armou.
Se são de chocolate, me acionam,
derretem meu amor que, a ti, amou.


A luz que, de teus olhos, me ilumina,
receita que nenhum "gourmet" ensina,
deixou, na minha alma, o teu sabor.


Agora, vem pra mim, como um recheio,
inunda a minha boca, de permeio,
e escorre, no meu peito, o teu amor!


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postado por: Lílian Maial 18:32 Comments:



Sexta-feira, Março 14, 2008

Hoje é Dia da Poesia, em que se comemora o nascimento de Castro Alves, um de nossos maiores poetas de todos os tempos. Aproveito para deixar um poema de sua autoria, de que gosto muito, e outro de minha autoria:




A DUAS FLORES
Castro Alves




São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.


Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.


Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.


Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!



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SENHORA POESIA
Lílian Maial




A poesia – feitora e aventureira -
Rege as pautas e as claves da paixão:
Faz dos homens, servis - tão traiçoeira -
Das mulheres, loucura e furacão!

Nos caminhos dos versos – ribanceira -
A rolar, belos sonhos de ilusão.
Pelo rosto, uma lágrima solteira
Martiriza a cantiga da emoção.

Invejosa, ela sabe o seu poder,
E se vinga de não poder viver
Um amor de verdade como o nosso.

Em sonetos, carrega o meu benzinho
Para longe da paz do meu carinho,
Mas não pode abraçá-lo... Só que eu posso!


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postado por: Lílian Maial 15:52 Comments:



Domingo, Março 09, 2008

POESIA SEM SABOR
Lílian Maial





Por mais que eu queira, não sei das verdades à luz do dia.
Tudo o que eu queria era a poesia que existia em acordar apressada, pintar os olhos, alimentar os filhos, estacionar numa vaga qualquer, e sorver os rostos que não se sabiam observados.

Felicidade não rima com poesia.
Poesia só aparece quando sobra tempo, quando já não se está ocupado sendo feliz.

O silêncio tem sempre dois significados, e a saudade é a mortalha derradeira de um tempo que não se quer findo.
A saudade tem mania de aguçar a memória, de pintar os dias idos de cor-de-rosa, e acinzentar o que não tem mais.

Meu tempo não segue as folhas do calendário, e hoje não me entendo em vinte e quatro horas.
Nada me alegra tempo suficiente para virar lembrança.
Nada me pertence ou me é destinado.
É como se a areia da ampulheta tivesse acabado e eu não tivesse me dado conta.

E daí?
Preciso apenas escrever lembranças e versos com sabor de gestação.
Preciso das gargalhadas e dos choros de madrugada, dos beijos nas manhãs despercebidas, da sensação de segurança e proteção de um amor prometido.

A mulher feiticeira está distante das fogueiras,
e a poesia foi dormir mais cedo, numa cama pequena, que não me cabe,
sob um edredom macio com cheiro de novo.

Não sei mais nada desde há muito tempo, quando a areia deixou de escoar os sonhos, e todos os vidros se partiram em estilhaços de passado.
O tempo passa, mas não tenho mais vontade de viajar na incerteza, depois de todas as certezas desfeitas.

As paixões deixam gosto amargo e palavras soltas.
Deixam imagens desconexas e sensação de fracasso.

Não existe verso que me devolva a ilusão.
Não quero mais verdades e descobertas, quero a mentira que me embalava os anos e me definia os horizontes.
Onde estão as ilusões?
Onde os planos e sonhos de madrugadas à luz de velas?

Mas eu sei que o meu trem passou em disparada, me deixando na estação, sem nome e sem rumo.

Não posso voltar e não sei para onde ir.
Então me sento no banco, ao lado de tantos indigentes que, no fim das contas, amaram.


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postado por: Lílian Maial 20:45 Comments:



Quarta-feira, Março 05, 2008

EM MIM NÃO HÁ VERÃO
©Lílian Maial






Lembro do tempo em que inventava formas para a lua, piscares e olhares semi-cerrados.
Hoje as madrugadas são foscas e frias, mesmo no abafado calor que faz lá fora.
Esqueci de destilar sorrisos, encantos e sentidos, e já não sei como se diz algumas coisas.
Os ouvidos vagueiam na ilusão de escutar frases perdidas em alguma esquina, quem sabe em algum domingo, ou em noites de abraços e aconchegos.
As palavras escondem as mentiras das promessas. Coisa séria promessa. Coisa triste também.
Depois de tanto e de tantos sonhos, ter de optar entre o prozac e a absoluta falta de propósito de escrever poemas.
Faz calor, muito calor. E o sol já não me colore ou aquece, mas abafa, incomoda, faz escorrer esse suor salgado e pegajoso.
Estou grávida de silêncios, seca de não ter respostas.
Sinto o peso das noites e o cansaço de dias anêmicos.
Permito que me troveje o peito, inerte, sem reação.
Não sei onde coloquei a bússola do olhar.
Perdi-me de mim e de mim mesma, assim, do nada, cansada de travar batalhas com o espanto.
Amputaram as pernas dos meus versos, que se arrastam nessa estranha trilha para lugar nenhum.

As noites de verão me salpicam de saudade, e a madrugada resseca e estanca os fluidos que outrora me inundavam.
A Lua já não me rege, nem me conta segredos de euforia, me enterrando num sepulcro de sombras.
Amanheceu, e nem me dei conta.
Não são mais para mim que os pássaros cantam,
Não há mais ninhos nas minhas árvores,
Nem verdade nos sorrisos que planto.
Tento inventar mentiras de alegria,
Caiar no rosto as tintas de recomeço,
Abrir as asas e arriscar um vôo,
Como quando, qual Ícaro, buscava o sol.

Hoje as estações me passam indiferentes,
e a graça das alvoradas, com prenúncio de vitória, ficaram lá atrás,
ofuscadas pela triste conclusão de que mudei de pele,
de voz, de cheiro, e apenas agradeço por mais uma lágrima.

Houve um tempo em que saía na chuva e me fartava de gotas, me encharcava de pingos, me deliciava de arrepios,
Mas agora só me chegam barro e sal,
Terra seca e empoeirada,
E meu nome se perdeu no vento,
No tempo e na lembrança vaga de dias felizes,
Já comprometida pelo esquecimento das demências seletivas,
Aquelas em que se esquece o que deixou de importar,
Ou o que não sabe mais sangrar.

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postado por: Lílian Maial 21:45 Comments:




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