Blog pessoal, para divulgação de trabalhos literários.
Quarta-feira, Novembro 28, 2007
O INCÊNDIO DESSE OLHAR
Lílian Maial
O INCÊNDIO DESSE OLHAR
© Lílian Maial
A luz dos versos teus me devolveu a cor
Dos olhos e, do peito, a música e a rima.
Ao som do teu poema o sonho se aproxima,
Do céu, onde mil anjos cantam com louvor.
A essência dessas letras – preces com fervor,
Recriam, do pincel, perfeita obra-prima,
De um mestre calejado que a tudo sublima,
Rendido à fantasia, fragrância do amor.
Perfume que se espraia por mares de mel,
Que o vento me sussurra, a me untar de saudade,
Dizendo que, sem ele, eu também morreria.
Preciso destruir as rosas e o cinzel,
Que moldam, sem pudor, o olhar e a verdade,
Nas chamas desse amor: paixão e poesia.
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postado por: Lílian Maial 19:00 Comments:
Quarta-feira, Novembro 21, 2007
SETE ANOS DE AZAR
Lilian Maial
Há sete anos
quebrei todos os espelhos.
Multipliquei por sete
os muitos dias de azar.
Azar o deles,
os espelhos,
que partiram
levando a velha torta
que refletia
uma alma baça.
Hoje a imagem não importa
e nem se é torto o reflexo
pois a vida brota
em cada fragmento
colado pelo tempo.
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postado por: Lílian Maial 18:02 Comments:
Terça-feira, Novembro 20, 2007
ZUMBI
Lílian Maial
igualdade - palavra gasta
vence o poder, a força
o domínio
o ego
luta de raça
refrão de cego
Zumbi seria branco,
se negro fosse o feitor
pois que pele é flor
beleza e perfume
enfeite da vontade
sobra o medo embutido
vaga na escola
letra de funk
subir o vidro
esmola
consciência negra
tributo à separação
imposto sobre a melanina
a cada dia nasce um Zumbi na China
no Irã, no Acre, no Congo
em cada esquina
como Cristo,
entre o céu e o crucifixo
como o judeu,
entre o Tovah e o Desmodeu
como Che,
entre o povo e o poder
como a mulher-de-terno
entre a fêmea, a mãe, a escrava e o inferno
zumbi não morreu
nem venceu
está na retina,
nos poros,
na adrenalina
e os punhos ainda guardam os grilhões
e sustentam fuzis e rosas
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postado por: Lílian Maial 19:43 Comments:
ROSAS EM MEU PEITO
Lílian Maial
Tenho rosas em meu peito,
as que perfumam
e as que ferem.
Rosas vivas,
opostas ao frio inerte que (pre)ssinto,
ao limbo de primavera,
a essa ausência de suor.
Tenho pétalas nas mãos,
secas e desbotadas pétalas,
num ramalhete macabro,
presente de um final sem fim.
Restam-me espinhos nos lábios,
sorrisos murchos ou esquecidos das cores,
lembranças fechadas nas páginas de um livro anônimo,
aguardando, na prateleira, o folhear dos anos.
Encanto-me com a roseira,
recordo fragrâncias,
revivo bilhetes e guirlandas,
com a certeza de nunca,
de verdade,
findar a estação.
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postado por: Lílian Maial 19:36 Comments:
Sábado, Novembro 03, 2007
"Peeling"
Lílian Maial
Preciso me lavar desses poemas,
rasgar todos os versos ruins
e queimar o peito que inspira.
Devo extirpar o cancro
que me move feito gado,
essa dor gloriosa de conhecer
o final da estória
que eu mesma desinvento.
Mas qual nada!
Sou há muito vacinada,
dessensibilizei-me das lágrimas
de dor,
daquelas das doenças todas,
das maldades.
Só não consigo me erradicar
dessa tua cicatriz.
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postado por: Lílian Maial 14:35 Comments:
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